Outubro 12 2010

Crise: Deputado esfomeado reivindica jantar na cantina da AR 

 

O deputado do PS Ricardo Gonçalves gostava de ter a cantina da AR aberta 
ao jantar. Isto porque 3700€/mês que aufere "não dão para tudo". Fiquei com 
um "aperto no coração" ao ler isto. 

 

Tiago Mesquita (www.expresso.pt) 

9:00 Terça feira, 5 de Outubro de 2010 

 

Pensava que nada me podia surpreender na política, mas eis que um deputado me 
acorda para a triste realidade: Portugal. O absurdo é o limite. O horizonte da estupidez 
ganha novos desígnios e contornos todo o santo dia. Ao deputado Ricardo Rodrigues dos 
gravadores junta-se agora o deputado Ricardo Gonçalves das refeições. 

Se o primeiro meteu gravadores no bolso. Este afirma que o que lhe põem no bolso não 
chega para tudo, mesmo que seja um valor a rondar os 3700€/ mês. Uma miséria. "Se 
abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros 
deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer" Correio da Manhã (vou 
fazer uma pausa para ir buscar uns kleenex...) 

O corte de 5% nos salários irá obrigá-lo, como "deputado da província", a apertar o cinto e 
consequentemente o estômago, levando-o a sugerir com ironia mas com seriedade (!?) a 
abertura da cantina da AR para poder jantar. Uma espécie de Sopa dos Pobres mas sem 
pobres e sem vergonha. Só com políticos, descaramento e sopa. 

"Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e 
comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" Valerá a pena acrescentar alguma coisa? 
Não me parece. Só dizer que as almôndegas que comi ao jantar não se vão aguentar no 
estômago durante muito tempo depois de ter feito copy/paste desta declaração 

Mas continuando a dar voz ao Sr. Deputado: "Estamos todos a apertar o cinto, e os 
deputados são de longe os mais atingidos na carteira". Pois é, coitadinhos, andam todos a 
pão e água. Alguns são meninos para largar os bifes do Gambrinus. 

Bem sabemos que os grandes sacrificados do novo pacote de austeridade do Governo 
vão ser os senhores deputados. Ninguém tinha dúvidas quanto a isto. E ajuda a explicar o 
"aperto de coração" que o Primeiro-Ministro sentiu ao ter de tomar estas "medidas duras". 
Sabia perfeitamente que ao fazê-lo estava a alterar os hábitos alimentares do Sr. 
Deputado Ricardo Gonçalves, o que é lamentável. 

Que tal um regresso à província com o ordenado mínimo e um pacote senhas do 
Macdonalds? Ser deputado não é o serviço militar obrigatório. Pela parte que me toca de 
cidadão preocupado está dispensado. Não o quero ver passar necessidades. 

Há quem sobreviva com pensões de valor equivalente a 4 dias de ajudas de custo do 
senhor deputado. Quem ganha o ordenado mínimo está habituado a privações, paciência. 
Agora com 3700€ por mês e 60€/dia de ajudas compreendo que seja mais difícil saber 
onde cortar. Podíamos começar por cortar na pouca-vergonha. Mas isso seria pedir 
demais. 

publicado por Mami (Sónia) às 09:44

BEm sem palavras...
Tânia (Mamã do Santiago) a 12 de Outubro de 2010 às 10:05

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